Adaline, Mindfulness e Lua em Câncer

Fui assistir ao filme “The Age of Adaline” sozinha. Estava num dia não muito feliz – domingo a noite, pós volta de Paris e minha cabeça estava a mil, confusa, meio “blah” por ter voltado a realidade e a última coisa que eu queria era ficar em casa.

Não que eu achasse uma super ideia, afinal esses filmes de amor costumam resultar em lágrimas, o que, convenhamos, não é o que espero das últimas horas de um fim de semana. Mas ignorei o fato de ser minha própria cia (eu até gosto, confesso!), e da possível choradeira e toquei para a Reserva Cultural.

Cuidado, este post contém spoliers – se não assistiu, não leia!

Resumindo o filme, em linhas gerais: Adaline é uma mulher à frente de seu tempo, super ativa, poderosa, mas que um belo dia, quando curiosamente neva em Sonoma (o que nunca acontece nesta região, só aconteceu por causa de uma sequência de efeitos climáticos em alguma outra parte do mundo), sofre um acidente de carro, quase morre e, por obra do destino (de Deus ou mágica), sobrevive por causa de um raio que cai no rio/carro. No entanto, para sempre viverá no seu corpo de 29 anos. Isto é: se torna imortal! Legal, não? À primeira vista pode até ser, afinal a personagem é interpretada por Blake Lively e não acharia nada chato ter aquele rosto, cabelo e corpo para sempre. Maaaas… aí é que começa o drama.

O que você faria se tivesse seu futuro “roubado”? Sim, digo roubado porque no momento em que você não envelhece, tudo o que acompanha os nossos anos fica “congelado” com a idade física. E aí, imagina, se já bate aquele “nervosal” que beira os 30 anos acerca de namoro, noivado, casamento e filhos, como lidar com esse “forever young” sozinha?

Felizmente Adaline já tinha vivido seu “sonho de mulher” (de casar e ter filhos), e não se permitia se envolver com ninguém porque sabia que sua “doença” lhe traria problemas a longo prazo. Sua vontade era de envelhecer com o escolhido – no caso, com o gato Elis, interpretado pelo meu amor ator favorito, Michiel Huisman. O que ela faz? Foge. De tempos em tempos ela muda de cidade, de emprego e até de identidade.

Pausa. Que vida é essa, meu Deus? Por um lado é algo que eu tento todos os dias, seja praticando a Kabbalah ou a Yôga, o tal do “viver o momento presente” – no caso, algo quase que mandatório para ela. Você aproveita cada minuto, cada atividade com toda a atenção possível, afinal você não tem pressa e tem a eternidade ao seu lado. Isso pode ser visto como algo bastante positivo, né? Fez com que eu me imaginasse em como seria estar no seu lugar. Quais seriam as minha motivações a cada nova manhã? O que eu tentaria mudar em mim? O que eu faria de diferente? Posso errar mil vezes e mesmo assim ter mais mil chances de fazer diferente e acertar. Reflita. Um presente, não?

Pausa novamente. Agora para falar sobre um assunto que tem tudo a ver com isso e que me foi apresentado dois dias depois de ter assistido ao filme, em uma palestra na casa da minha professora de Yôga, Gisele Correa. Foi com ela que eu tive o insight de escrever sobre “O amor e a dança”, lembram?

Nesta ocasião, conheci o Alan Progebinschi, coach que falou sobre um tema bastante abordado, mas ainda pouco conhecido, o Mindfulness. Você sabe do que se trata? Vou tentar explicar de uma maneira bem simples e peço desculpas, pois é um assunto super interessante o qual eu aconselho pesquisar mais sobre e, inlcusive, estudá-lo, mas que tratarei de forma simplista.

Segundo Kabat-Zinn & Hanh, Mindfulness significa algo como “a consciência que surge por prestar atenção de propósito no momento presente, e sem julgamentos”. Originalmente associado ao Budismo, nas últimas três décadas virou objeto de estudo científico, podendo ajudar em questões de saúde física (câncer, dor crônica e asma), mental (ansiedade, stress e depressão) e produtividade (concentração, liderança e inteligência emocional) – é popular entre funcionários do Google (praticam desde 2007) e é também usado pelo Exército dos EUA.

Você vai me dizer que é fácil na teoria, mas bem difícil na prática e eu vou ter que concordar. As demandas do dia-a-dia nos tiram do centro e não agimos com consciência e sim por inércia. Temos muita dificuldade nas ações com propósito. E meditar é difícil pra caramba! Não só pela concentração (já me vem a mente a imagem do Comer, Rezar e Amar quando ela está na Índia para sua primeira aula e não consegue), mas também porque quando olhamos para dentro nos deparamos com o que estamos evitando enfrentar ou, muitas vezes, querendo esconder. O Alan nos contou que a relação com o outro é o que traz a tona o que é difícil e o que é maravilhoso. A presença do outro nos permite praticar ações com o propósito do “aqui e agora”. Qual a função do que você está fazendo? O que pode e o que não pode ser controlado (pelas consequências)? O que te move em direção ou te afasta do seu propósito/valor?

Saí de lá com todas essas questões e o filme na minha cabeça, me perguntando se Adaline aplicava essas ideias na sua (tediosa) vida de fugitiva. Ela era de fato feliz? Se divertia e aproveitava o presente de cada novo dia em paz ou vivia ansiosa pela próxima mudança, tentando imaginar qual seria o próximo passo, com quem e por que? Como você acha que se sentiria? Não é legal parar um segundo para refletir sobre isso? Mesmo tendo todo o tempo do mundo para fazer o que quiser, ainda assim existia um “incômodo” do qual ela jamais conseguiria se livrar. Mas nós podemos silenciar a mente.

Se não bastasse, chego em casa e vejo um vídeo do Yonatan Shani, o responsável pelo Kabbalah Centre no Brasil, sobre a Lua Nova em Câncer (para quem não sabe, segundo os kabalistas, todos os meses somos influenciados pelo signo e pela astrolologia) e sabe o que o vídeo falava? “Não viva no passado ou no futuro. Tome responsabilidade sobre o que precisa ser feito hoje, vivendo o presente”. E ainda dizia que “os cancerianos têm muito prazer em compartilhar, mas problemas em receber (alô, Adaline – já volto nela!) e eliminar a mágoa, não deixá-la entrar em suas vidas. Ah! E que “o signo de Câncer tem a energia da morte, mas a Lua tem a energia da renovação – a oportunidade de morrer e renascer, de deixar para trás tudo o que você era/fez e de começar uma nova fase, uma nova vida.” OMG! Tem como ficar mais interessante? Tem!

Se então é preciso “morrer para renascer” é exatamente isso que acontece no filme. Se você teve paciência de ler até aqui, agora vem o desfecho, prometo!

Adaline finalmente reconhece que ama Elis de verdade. Mas quem não amaria? Ele é lindo, fofo, querido e não tem medo de demonstrar o seu amor… Mas por amar demais ela decide fugir, como sempre fez em todos os outros casos, só que no meio de sua fuga, ela tem um click que a faz perceber que não quer mais isso, não quer mais fugir, que quer se entregar de verdade. Quando ela vai fazer o retorno na estrada, um caminhão bate no seu carro, ela é lançada pra fora e fica lá até seu amado a encontrar. Sim, triste e se acabasse assim eu ficaria muito brava. Acontece que, por causa da aproximação da Lua com a Terra (olha a Lua da Kabbalah), a maré sobe, tempestades acontecem e, claro, neva de novo naquela mesma região, o que faz com que seu corpo entre em hipotermia e é dada como morta. What? Elis, beija logo essa moça! Ela morre para instantes depois renascer com choque de eletricidade do desfibrilador. Link com a “energia” do raio do começo, lembram?

Fantasias à parte quero dizer que tudo isso aconteceu na minha vida em menos de 5 dias e é tipo impossível ser mera coincidência. Sério… Eu acredito que nada acontece por acaso e que todas essas informações chegaram a mim para que algo fosse tocado aqui dentro e que me fizesse refletir sobre “estar presente”, praticar a meditação que eu tanto adio no meu dia a dia, ter um “propósito”, viver como se minha vida fosse eterna e, sendo assim, menos ansiosa, não fugir do que eu vejo quando olho para dentro e, por fim, se for necessário, morrer (ou matar algo aqui dentro) para finalmente renascer.

Tá bom para você? Ah! E é claro que eu revi o filme. =)



Vídeo
Lua Nova em Câncer
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6 comentários COMENTE TAMBÉM

Eu sabia que ia amar o texto e que teria tudo a ver comigo também. Independente de onde esteja, temos uma conexão forte e inexplicável. Sinto isso, já te falei. E te desejo toda a felicidade do mundo sempre e pra sempre. Que seu presente seja lindo como seu coração! Obrigada pelo texto. Um beijo! <3

Um texto lindo e sensível como imagino que sejas.
Obrigada!

Que bacana seu o texto, estou numas de refletir sobre minha vida e minhas escolhas e curti muito seu texto, a gente precisa mesmo sair da inércia e se conectar com a gente mesmo. Sinto que a realidade está muito fugaz, superficial tbém, e é um alivio ler n um blog/site de moda e comportamento um texto que trate do assunto de maneira confessional e ao mesmo tempo livre e aberta para todos.

Vamos meditar nossas ações e tentar viver melhor sempre 😉

Que texto mais liiiiiindo Bea! Pensa numa saudade de te ouvir confabulando!!! <3

Bia, confesso que não acompanho nem unzinho site de moda, todos me dão sempre a sensação de mais do mesmo… Mas venho entrando esporadicamente aqui e tenho que admitir que sempre me surpreendo. Assim como você, eu acredito que nada é por acaso. Eu sofro muito de ansiedade, tenho alguns ataques (falta de ar, taquicardia, sensação de que vou enlouquecer) quando começo a pensar sobre minha vida e o que estou fazendo aqui… Mas nesses últimos meses, todas as vezes que tive essas crises, calhou de eu entrar aqui depois e sempre vejo você falando sobre as suas aflições e angustias e o que você têm feito para combater isso. É tão bacana ver mulheres reais, falando sobre sentimentos reais e mostrando que não precisamos ser perfeitos o tempo todo. Eu venho tentando meditar, praticar exercícios físicos e encontrar livros bacanas que me ajudem a mudar minha vida, me livrar do que não me faz bem… E aqui você têm dado ótimas dicas! Fui até o Kabbalah Centre para um palestra porque acreditei nos seus relatos! Aliás, a forma como você aborda essas “fraquezas”chega a ser lindo, já que hoje em dia todos querem mostrar o quanto a vida é perfeita, apesar de ser mentira! Todos temos problemas e não precisamos ter vergonha disso, e você tem lutado como todas nós lutamos todos os dias, coisa rara de ser ver na internet hoje! Espero que você nunca deixe de escrever sobre isso, pois acredito que é o que faz tantas mulheres entrarem aqui!

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